• Luiz Gustavo

Relação das crianças com tecnologia deve mudar pós-pandemia, de acordo com especialistas

A psicóloga hospitalar Rita Calegari e a educadora parental Lua Barros participaram da discutiram como a pandemia vai interferir na infância e quais comportamentos devem mudar nas crianças por conta do isolamento.

Elas discutiram como a internet, que antes era usada apenas para diversão, vai ganhar novos significados, e também falaram como o excesso de tempo com as telas pode causar mudanças no humor dos pequenos.


A mudança da rotina provocada pela quarentena é algo que abalou toda a família. A criança deixou de ir para escola, não pôde brincar com os colegas, passou a ter aulas on-line ao mesmo tempo em que o escritório dos pais virou a sala de casa.

Os tablets, celulares e computadores eram ferramentas usadas para divertir e distrair as crianças, mas a percepção em relação à tecnologia mudou um pouco com o isolamento.

"Até antes da pandemia, o acesso das crianças a essas tecnologias sempre foi muito focado no brincar. Agora o que era praticamente 100% diversão, hoje tem uma influência imensa na educação", diz Rita Calegari.


Mãe de 4 crianças, Lua passou por fases diferentes nestes meses de isolamento. Começou mantendo o mesmo padrão de tempo de tela de antes da pandemia, depois viu que precisava permitir mais tempo até para conseguir trabalhar melhor, mas logo viu que não era uma boa saída.

"Elas no final do dia estava muito mais irritadas, muito mais estressadas, ansiosas", explica a educadora.

Lua contou sobre a experiência com o filho mais velho, de 12 anos, que estava inquieto e um dia pediu para encontrar com um amigo. O colega, que também estava isolado em casa, passou uma tarde brincando com a família de Lua, mas o resultado não foi como o esperado.

"João disse 'foi muito estranho", diz Lua. "Eu acho que a intimidade se perde. A tela não garante essa intimidade".


Rita encara o relato como um alerta: "A gente tem uma sensação que deu uma pausa nas nossas vidas em março e que, daqui a pouco, a gente vai dar um play de novo e as coisas vão recomeçar naquele ponto. Não são os mesmos adolescentes de março, eles são os adolescentes de agosto, julho, setembro", explica a psicóloga.


As duas especialistas concordam que não adianta fingir que nada está acontecendo, porque as crianças estão ligadas e acabam sabendo o contexto da pandemia através de notícias, de ligações dos adultos e da internet. Cabe aos pais a missão de filtrar as informações.


Rita defende que o entendimento da situação ajuda a naturalizar algumas regras que surgiram com a pandemia.

"Para criança poder compreender a importância delas seguirem algumas regras de segurança, elas precisam também ter entendido o que isso impacta, os riscos, os benefícios quando elas conseguem se proteger", explica.

"Quando a gente fala filtrar, não é blindar. É deixar passar aquilo que a capacidade da criança, que o entendimento dela vai dar conta", finaliza Rita.


Fonte:G1

2 visualizações0 comentário